quarta-feira, 27 de julho de 2011

Filosofia

Todos nós somos filósofos, uma vez que pensamos, indagamos, criticamos, tentamos respostas e soluções e esbarramos em dúvidas e incertezas, buscando a sabedoria e a verdade.

A filosofia é imprescindível na formação do cidadão pois todos precisam de uma reflexão filosófica para o aumento da consciência crítica e para a participação na comunidade em que pertence.



Definição

A Filosofia é o princípio de todo o saber, o fundamento de qualquer conhecimento. É através dela que as Ciências e as Artes garantem sua fundamentação e confiabilidade. Então, o trabalho da das ciências e das artes pressupõem, como condição, o trabalho da filosofia, mesmo que os cientistas e artistas não sejam filósofos.

A Filosofia não é uma construção arbitrária de um pensador isolado. É um somatório lento e progressivo de todas as civilizações e culturas, do que elas têm de mais apurado, de mais escolhido, de mais seleto, nos domínios das do pensamento abstrato e nos campos de todas as ciências e artes.

Ela tem a tarefa criadora de nos levar a uma posição esclarecida perante a vida e o mundo e a um relacionamento compreensivo com o homem e a sociedade.

Filosofia é a busca incessante da sabedoria, baseada na verdade e na consciência do respeito por si mesmo e pelos outros. É um projeto de transformação pessoal, movido pelo sendo crítico do homem.

A busca da sabedoria e da verdade é também a busca da perfeição, do equilíbrio e da harmonia.

A sabedoria é contínua e individual e tem como princípio uma virtude rara e difícil, a humildade, que levará a verdade e nos libertará.



Contexto histórico

A Filosofia não só tem uma história, mas consiste nesta própria história.

Se pretendesse definí-la, se verificaria que a definição jamais poderia compreender ou abranger todo o definido, que por ser um processo que transcorre no tempo, mostra-se refratário a qualquer tentativa de imobilização no seu conceito.

A filosofia apresenta características particulares que corresponde às estruturas econômicas, políticas e sociais do momento histórico.

A filosofia é histórica não só porque os problemas pelos quais reflete lhe são apresentados pela história, mas porque essa própria reflexão exerce dentro do tepo e sobre ele exerce influência. O filósofo pensa no interior da própria história quando conclui a construção do seu sistema ou elaboração de sua doutrina.

As diversas doutrinas constituem momentos sucessivos e abrangentes de um processo único: com todas as conquistas filosóficas o homem não pára de abordar temas e problemas que sempre preocuparam o espírito humano. As diversas filosofias nas diferentes épocas apresentam características comuns do pensamento humano. É uma sequência inexorável de um processo que implica os momentos anteriores e torna possível pensar os momentos subsequentes.



Atitudes Filosóficas

"Não se pode aprender filosofia. O que se pode aprender é pensar filosoficamente."

A indagação e a atitude filosófica são inerentes à natureza humana.

Por sua natureza intríseca, induzido e conduzido por razões imanentes, como a dúvida, a incerteza e o desespero, o homem não consegue eximir-se de atitudes filosóficas, ou seja, interroga-se sobre si mesmo e sobre o sentido de sua existência.

Em crise existencial ou na euforia da vida, alguém que comece a indagar sobre o porquê da própria vida, estaria começando a filosofar, isto é, tendo uma atitude filosófica.

A atitude filosófica nos mergulha num mundo espetacular, terrível e fantástico ao mesmo tempo: a busca da sabedoria e da verdade.

Uma iniciação à Filosofia visa despertar uma atitude crítica e de avaliação, para chegar a uma consciência mais clara e respeitável quando tiver que optar entre uma multidão de possibilidades.

Aquele que começa a iniciar-se na filosofia já não pode encarar os problemas do homem e seu mundo com uma atitude simplista de aceitação ou negação. Ele assume a responsabilidade de ir além das aparências, a fim descobrir as intenções que levam ao questionamento e mudar a realidade pelo fato de interpretá-la.

A atitude filosófica empenha-se em conhecer o mundo para transformálo afim de restaurar a harmonia e a unidade no pensamento e na própria realidade da existência humana.

Quando acompanhamos todas as reflexões com a própria razão, acionamos as potencialidades do entender, do assimilar e do integrar em nós mesmos tudo o que emanou da dúvida, admiração, certeza, estamos diante de uma atitude filosófica.

Ter uma atitude filosófica quer dizer que estamos utilizando o raciocínio fundamentado e lógico, tendo uma visão crítica e adulta da realidade e convicções sustentadas.



Essência e abrangência da Filosofia

A filosofia busca o saber absoluto, as causas últimas de todas as coisas, a essência do ser, a realidade total e absoluta.

Em todos os tempos a filosofia tenta interpretar o mundo e entender e transformar o homem

(a procura da verdade) , isto significa que todo tema importante é assunto de preocupação filosófica.

A filosofia estuda tudo e é o fundamento de qualquer conhecimento. Ela estuda o valor do conhecimento, quer como pesquisa sobre o fim do homem, quer como estudo da linguagem, do ser, da história, da arte, da cultura, da política, da ética, etc. Representa o esforço da razão teórica em conhecer o real (o ser), e a razão prática em transformá-lo.

Procurando a verdade, ela engloba todas as coisas como objeto de indagação filosófica: o homem, os animais, o mundo, o universo, o esporte, a religião, Deus.

A filosofia estudará sempre tudo e não se esgotará jamais, pois é um processo em desenvolvimento.

Os filósofos estudam por duas razões:

* Porque todas as coisas podem ser examinadas no nível científico e no filosófico.

* Porque a filosofia estuda o todo, a totalidade, o universo formado globalmente. Ela se atém ao princípio da validade universal. Sendo fruto dos princípios filosóficos, todas as definições de qualquer ciência, de qualquer conhecimento.

Autoria: Nayara Alcântara Fauvel

A mulher na Idade Média

A participação e o lugar da mulher na História foram negligenciados pelos historiadores por muito tempo. Elas ficaram à sombra de um mundo dominado pelo gênero masculino. Ao pensarmos o mundo medieval e o papel desta mulher, esse quadro de exclusão se agrava ainda mais, pois alem do silêncio que encontramos nas fontes, os textos que muito raramente tratam o mundo feminino estão impregnados pela aversão dos religiosos da época por elas.

Na Idade Média, a maioria das idéias e de conceitos eram elaborados pelos Escolásticos. Tudo o que sabemos sobre as mulheres deste período saiu das mãos de homens da Igreja, pessoas que deveriam viver completamente longe delas. Muitos clérigos consideravam-nas misteriosas, não compreendiam, por exemplo, como elas geravam a vida e curavam doenças utilizando ervas.

A mulher para os clérigos era considerada um ser muito próximo da carne e dos sentidos e, por isso, uma pecadora em potencial. Afinal, todas elas descendiam de Eva, a culpada pela queda do gênero humano. No inicio da Idade Média, a principal preocupação com as mulheres era mantê-las virgens e afastar os clérigos desses seres demoníacos que personificaram a tentação. Dessa forma, a maior parte das autoridades eclesiásticas desse período via a mulher como portadora e disseminadora do mal. Isso as tornava má por natureza e atraída pelo vício.

A partir do século XI com a instituição do casamento pela Igreja, a maternidade e o papel da boa esposa passaram a serem exaltados. Criou-se uma forma de salvação feminina a partir basicamente de três modelos femininos: Eva (a pecadora), Maria (o modelo de perfeição e santidade) e Maria Madalena (a pecadora arrependida).

O matrimonio vinha para saciar e controlar as pulsões femininas. No casamento a mulher estaria restrita a um só parceiro, que tinha a função de dominá-la, de educá-la e de fazer com que tivesse uma vida pura e casta.

Eram consideradas como a causa e objeto do pecado, era portadora de entrada para o demônio. Só não eram consideradas objetos do pecado quando eram virgens, mães ou esposas, ou quando viviam no convento. Quando eram esposas não podiam vender nem hipotecar seus bens sem a autoridade e consentimento do seu marido.

As camponesas trabalhavam muito: cuidavam das crianças, fiavam a lã, teciam e ajudavam a cultivar as terras. As mulheres com um nível social mais alto tinham uma rotina igualmente atribulada, pois administravam a gleba familiar quando seus maridos estavam fora, em luta contra os visinhos ou em cruzadas à Terra Santa. Atendimento aos doentes, educação as crianças também eram tarefas femininas.

Essa falta de conhecimento da natureza feminina causava medo aos homens. Os religiosos se apoiavam no Pecado Original de Eva para ligá-la à corporeidade e inferiorizá-la. Isso porque, conforme o texto bíblico, Eva foi criada da costela de Adão, sendo, por isso, dominada pelos sentidos e os desejos da carne. Devido a essa visão, acreditava-se que ela foi criada coma única função de procriar.

Na idéia do Pecado Original encontramos uma outra característica criticada nas mulheres pelos clérigos, a tagarelice. Afinal foi por um pedido de Eva que Adão aceitou o fruto proibido, e pó isso, foi considerada uma enganadora.

Maria foi à redentora de Eva, que veio ao mundo com a missão de liberar Eva da maldição da Queda. Desenvolveu-se então a idéia de Maria era a mãe da humanidade, de todos os homens e mulheres que viviam na graça de Deus, enquanto Eva era a mãe de todos que morrem pela natureza. O culto a Maria se baseava em quatro pilares: a maternidade divina, a virgindade, a imaculada concepção e a assunção.

Por isso, as mulheres eram encorajadas a se manterem castas até o casamento, se a sua opção de vida fosse o matrimônio. Porém, a melhor forma de seguir o exemplo de Maria era permanecer virgem e tornar-se esposa de Cristo, com base na idéia recorrente de que Maria era “irmã, esposa e serva do Senhor”. Eva simbolizava as mulheres reais, e Maria um ideal de santidade que deveria ser seguido por todas as mulheres para alcançar a graça divina, caminho para a salvação.

Mas como Maria era um ideal a ser seguido, inatingível pelas mulheres comuns, surge à figura de Maria Madalena, a pecadora arrependida, demonstrando que a salvação é possível para todos que abandonam uma vida cheia de pecados. Com essa imagem de mulher pecadora que se arrepende e segue o mestre até o calvário, Maria Madalena veio demonstrar que todos os pecadores são capazes de chegar a Deus.

A partir daí foi concebido as mulheres, assim como a pecadora o direito ao arrependimento, demonstrado pela prostração, humilhação e lagrimas, em oposição à tagarelice de Eva, que levou toda a humanidade ao pecado. Por isso, a pregação feminina deveria ser sem palavras, feita apenas pela mortificação corporal.

Todo este antí-feminismo tinha como objetivos básicos: afastar os clérigos das mulheres, institucionalizar o casamento e a moral cristã, moldada através da criação de um segundo modelo feminino a Virgem Maria.

Os três modelos difundidos por toda a Idade Média (Eva, Maria e Madalena) deixam claro o papel civilizador e moralizador desempenhado pela Igreja Católica ao longo de aproximadamente mil anos de formação da sociedade ocidental.

A própria passagem da visão de corporeidade e danação feminina, pautada no modelo de Eva, vista como aliada do demônio. Esse estado de maldição foi amenizado com o culto à Virgem Maria, que trouxe consigo a reconciliação entre a humanidade e Deus, contudo, essa reconciliação ainda restritiva, pois somente aqueles que vivessem na graça divina alcançariam à salvação. Com Maria Madalena se estende a possibilidade de salvação a todos que tinham caído no erro, mas foram capazes de se arrepender.

Eva concentra em si todos os vícios que trazem símbolos tidos como femininos, como a luxuria, a gula, a sensualidade e a sexualidade. Todos esses atributos apareciam nela como exemplo. E como forma de salvação para a mulher, eles ofereciam a figura de Maria Madalena, a prostituta arrependida mais conhecida e que se submeteu aos homens e a Igreja.

Fica claro assim que não é possível analisar o que as mulheres pensam de si próprias: o que nos foi transmitido pelas fontes são modelos ideais e regras de comportamento que nem sempre são positivos.

Essa concepção de mulher, que foi construída através dos séculos, é anterior mesmo ao cristianismo. Foi assegurada por ele e se deu porque permitiu a manutenção dos homens no poder, fornecia uma segurança baseada na distancia ao clero celibatário, legitimou a submissão da ordem estabelecida pelos homens. Esta construção começou apenas a ruir, mas os alicerces ainda estão bem fincados na nossa sociedade.

Texto escrito pela Professora Patrícia Barboza da Silva Licenciada pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande – FURG.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS:

DUBY, G; PERROT, M (dir). História das mulheres: a Idade Média. Porto; Afrontamento, 1990.

RAMON, Llull. Missoginia e santidade na Baixa Idade Média: os três modelos femininos no livro das maravilhas. Instituto Brasileiro de Filosofia e ciência Raimundo Líilio. 2002.

Autoria: Patrícia Barboza da Silva

Atividades para o 3º ano

Questões:
1. Roma, de simples cidade-estado, transformou-se na capital do país e mais duradouro dos impérios conhecidos. Assinale a alternativa diretamente relacionada com o declínio e queda do império Romano:

a) Triunfo do cristianismo e urbanização do campo.
b) Redução considerável dos tributos e abolição do poder despótico do tipo oriental.
c) Barbarização do exército e crise no modo de produção escravista.
d) Ensino democrático dos estóicos e aumento dos privilégios das classes superiores.
e) Estabilização das fronteiras e crescente oferta de mão-de-obra.


2. O modo de produção asiático foi marcado pela formação de comunidades primitivas caracterizadas pela posse coletiva de terra e organizadas sobre relações de parentesco. Sobre essa estrutura é correto:

a) O Estado controlava o uso dos recursos econômicos essenciais, extraindo uma parcela de trabalho e da produção das comunidades que controlava.

b) Neste sistema verifica-se a passagem da economia de predação para uma economia de produção, quando o homem começa a plantar.

c) O fator condicionante dessa situação foi o meio geográfico, responsável pela pequena produtividade.

d) As relações comunitárias de produção impediram o desenvolvimento do comércio e da mineração na Antiguidade Oriental.

e) Os povos que não vivam próximos aos grandes rios não se desenvolveram e tenderam a desaparecer.


3. As “Guerras Civis” na Roma republicana foram provocadas pela (o):

a) Tentativa de Julio César de tornar-se imperador.
b) Ascensão dos homens novos e militares e marginalização da plebe.
c) Assassinato dos irmãos Graco, dividindo os romanos em dois partidos.
d) Insistência dos cristãos contra a escravidão e o culto ao imperador.
e) Disputa política envolvendo os membros dos dois Triunviratos.


4. Entre os séculos IV e V os pequenos proprietários arruinaram0se e buscaram a proteção dos grandes latifundiários. Surgiu assim o Patrocínio, instituição pela qual, em troca de proteção, um homem livre obrigava-se a cultivar um grande lote de terra para um grande proprietário. Grande parte da mão-de-obra foi recrutada entre os “bárbaros”, que invadiam as fronteiras do Império. O texto retrata:

a) A barbarização do exército e anarquia militar.
b) A principal forma de salvação do Império.
c) A abertura das fronteiras romanas aos povos germânicos.
d) A consolidação do sistema escravista de produção.
e) O surgimento do colonato e das Villae, com economia natural.


5. No decorrer do último século de República em Roma, as conquistas se ampliaram, o exército passou a ser permanente e tornou-se profissional, o que foi fundamental para:

a) A realização das guerras civis, contra os plebeus, impedindo a reforma agrária.
b) Conter as invasões bárbaras que ameaçavam as fronteiras ao norte.
c) Preservar as culturas políticas, limitando as conquistas realizadas pela plebe.
d) A ascensão dos militares ao poder, e conseqüentemente para decadência do Senado.
e) Consolidar as instituições republicanas, impossibilitando o retorno à monarquia.


06. Durante o Baixo Império, o império romano viveu grande decadência, determinada principalmente pela (o):

a) Retração das guerras, responsável pela diminuição do afluxo de riquezas, crise do escravismo e da própria produção.

b) Adesão imperador Constantino ao cristianismo, diminuindo a força do paganismo.

c) Guerra civil envolvendo patrícios e plebeus, determinando a decadência da produção agrícola.

d) Édito do máximo, responsável pela ilimitação da produção agrícola e importação de escravos.

e) Crise do comércio romano pelo Mediterrâneo, dado a ocupação realizada pelos povos bárbaros.


07. (FUVEST) A civilização ocidental contemporânea apresenta traços marcantes que revelam o legado cultural da civilização romana. Indique e comente dois traços.


08. (OSEC) Quanto à história de Roma, pode-se considerar que:

a) Roma conheceu apenas dois regimes políticos: a República e o Império;
b) na passagem da República para o Império, Roma deixou de ser uma democracia e transformou-se numa
oligarquia;
c) os irmãos Tibério e Caio Graco foram dois tribunos da plebe que lutaram pela redistribuição das terras
do Estado (ager publicus) entre todos os cidadãos romanos;
d) no Império Romano, todos os homens livres - os cidadãos - eram proprietários de terras;
e) no Império Romano, a base da economia era o comércio e a indústria.


09. (OSEC) Sobre a ruralização da economia ocorrida durante a crise do Império Romano, podemos afirmar que:

a) foi conseqüência da crise econômica e da insegurança provocada pelas invasões dos bárbaros;
b) foi a causa principal da falta de escravos;
c) proporcionou ao Estado a oportunidade de cobrar mais eficientemente os impostos;
d) incentivou o crescimento do comércio;
e) proporcionou às cidades o aumento de suas riquezas.


10. (PUC) A religião romana assemelhava-se à grega porque ambas:

a) tinham objetivos nitidamente políticos;
b) eram terrenas e práticas, sem conteúdo espiritual e ético;
c) eram apoiadas por uma forte classe sacerdotal;
d) condenavam as injustiças sociais;
e) tinham como centro a crença na vida futura.

A CULTURA E ARTES CHINESA

A CULTURA E ARTES CHINESA
LÍNGUA
Existe na China, uniformidade da escrita. A língua falada pela população han varia, porém, consideravelmente. Existe, naturalmente, uma grande diversidade de idiomas entre as minorias nacionais.
Os tibetanos têm, por exemplo, a sua própria língua e escrita, ao passo que os uighurs, de Xinjiang, falam um idioma próximo do turco. No norte do país fala-se o mandarim, enquanto que no litoral, de Shanghai a Guangzhou, é grande a diversidade de dialetos. Na província de Fujian, apenas, estima-se que sejam falados mais de 100 dialetos. É política do governo promover o mandarim, em sua versão falada em Beijing, como a língua-padrão nacional. Em que pese a esse esforço, a diversidade lingüística ainda permanece como uma das barreiras à plena integração das distintas áreas do país. A diferença o mandarim e a segunda língua mais falada, o cantonês, equivale, por exemplo, àquela que existe entre o português e o francês.
LITERATURA
A brilhante literatura chinesa remonta a épocas antigas e é uma preciosidade cultural. O livro de Ode (Shi Jing), compilado no século VI a. C. é a primeira antologia de poesia chinesa com 305 poemas. Qu Yuan, o primeiro poeta na história literária chinesa escreve uma comprida lírica, Lisao. Durante dinastias antigas, destacam-se várias formas de literatura, como por exemplo, o fu da dinastia Han, a poesias da dinastia Tang, o ci da dinastia Song, o qu da dinastia Yuan, e romances das dinastias Ming e Qing. Tendo regras, formas, sons e rimas rigorosas, os versos da dinastia Tang e ci da dinastia Song foram geralmente compostos por letrados. Os seu representantes foram Li Bai, Du Fu e Bai Juyi.
Durante as dinastias Ming e Qing, surgiu um grande número de romances. O Romance dos Três Reinos, da autoria de Luo Guanzhong, o À beira d´Água, da autoria de Shi Naian, o A Peregrinação ao Oeste, de Wu Cheng´en, e o Sonho do Pavilhão Vermelho, da autoria de Cao Xueqin, foram classificados como quatros brilhantes obras entre os romances clássicas chinesas e foram publicados em vários idiomas estrangeiros.
No movimento cultural pela nova democracia, nos anos vinte e trinta do presente século, os escritores progressistas representados por Lu Xun empunharam a bandeira anti-imperialista e anti-feudal, tomaram a literatura como arma, denunciaram as forças perversas que escravizavam a China e despertaram a população par a luta. Foram obras-primas da época o romance A Verdadeira História de AQ, da autoria de Lu Xun, o romance A meia Noite de autoria de Mao Dun.
Com a fundação da República Popular da China em 1949, a literatura chinesa entrou na fase contemporânea. A rocha vermelha de Luo Guangbin e Yang Yiyan, Canção da juventude, de Yang Mo, Grandes mudanças na aldeia de montanha, de Zhou Libo e outras foram obras representativas da primeira época dessa fase contemporânea, o que refletiam as duras lutas e os enormes sacrifícios no período da libertação. Durante a "revolução cultural" (1968-1978), a literatura teve grandes prejuízos e apresentou um quadro de empobrecimento. A partir da reforma e abertura de 1978, a literatura retomou seu vigor. surgiram obras que refletem a vida do povo na "revolução cultural" (1968-1978) e perspectivas pela nova vida.
ÓPERA DE BEIJING
Entre mais de 300 variedades de óperas locais tradicionais da China, a ópera de Beijing é mais conhecida e influente. Recebeu seu nome porque se formou nesta cidade nos começos do século XIX.
A ópera de Beijing mistura o teatro, a canção, a música, a dança e as artes marciais em conjunto. Nas atividades cênicas de 200 anos, se acumulou mais de mil peças e formou uma série de modelos musicais e fórmulas representativas.
Nos 50 anos desde a fundação da República Popular da China, o Estado e o povo dão muita atenção ao desenvolvimento da ópera de Beijing; os autores profissionais e os artistas criaram muitos novos programas, entre os quais alguns de temas históricos e outros temas das guerras revolucionárias modernas, da edificação socialista e da vida do povo. Ao mesmo tempo, surgem grande quantidade de artistas contemporâneos da ópera de Beijing: Mei Lanfang, Cheng Yanqiu, Ma Lianliang, Zhou Xinfang, Du Jinfang, etc. Para desenvolver esta ; ópera típica da China, muitos artistas e simpatizantes fazem grande quantidade de obras para atrair mais espectadores e levar a ópera aos palcos estrangeiros.
ACROBACIA
Faz 2.500 anos, no Período de Primavera e Outono, na China apareceu a acrobacia. Primeiro se desenvolveram competições de força. Homens fortes lançavam e pegavam rotas pesadas exibindo ao povo força e destreza. Na dinastia Han se popularizou a representação acrobática, que se convertia em programas recreativos tanto nos banquetes imperiais como nas celebrações populares.
A acrobacia da China se difunde de geração em geração. Entre os números famosos figuram: "atravessando argolas", "jogo de diabolôs", "jogos com os pés", "jogos com jarrões", "jogos com pratos giratórios" e "equilíbrio de grandes taças na cabeça". Depois da fundação da República Popular da China, em 1949, o Governo cuidou do seu desenvolvimento e a acrobacia conseguiu avanço rápido.
De 1981 a 1997 o país ganhou 35 vezes de modo acumulado, o "Prêmio Presidente da República da França" que é o principal prêmio do Festival Internacional de Acrobacia. A partir de 1987 se comemora cada dois anos o "Festival de Acrobacia Internacional de Wuqiao da China" e os conjuntos nacionais e estrangeiros de alto nível participam das competições e fazem exibições.
RELIGIÃO
A religião chinesa não é uma religião única como o judaísmo ou o islamismo. É constituída de muitas religiões e filosofias diferentes, as mais conhecidas são o confucionismo, cujo nome derivou de seu fundador, Confúcio (551-479 a.C.), e o taoísmo. Ao lado delas, a religião popular é tão extensamente praticada que, embora seja ainda mais diversificada, se constitui em um quarto caminho. Os chineses em geral não sentem que devam aceitar determinada religião ou filosofia e rejeitar as demais. Eles escolhem aquela que parece ser mais conveniente ou proveitosa - seja no lar, na vida pública ou em um dos ritos de passagem.
Confucionismo
As idéias do sábio K´ong-fou-tseu (551-479 a.C.), conhecido no Ocidente como Confúcio, são as mais importantes do pensamento chinês, a par do taoísmo e do budismo. Porém, Confúcio não pretendia fundar uma religião. Seu propósito era propiciar instrução moral e ensinar as pessoas a viver bem, de acordo com os valores de dever, cortesia, sabedoria e generosidade. Uma das idéias mais importantes de Confúcio era que os filhos deviam honrar e respeitar os pais tanto em vida como após a morte. Por isso, ele encorajava a prática do culto aos antepassados, que já fazia parte da religião chinesa. Sábios posteriores como Mêncio (c.372-289 a.C.) e Zhu Xi (1130-1200) transformaram as idéias de Confúcio num sistema religioso.
♦ Taoísmo
Os adeptos do taoísmo buscam um caminho espiritual, o Tao, formulado por antigos pensadores chineses. Porém, o Tao é mais do que um caminho, é definido também como a fonte de tudo neste mundo. Ao seguir o caminho, os taoísta aspiram à união com o Tao, e portanto com as forças da natureza. Isso implica livrar-se de preocupações e apego ao mundo material para concentrar-se no caminho, alcançando assim equilíbrio e harmonia na própria vida e conquistando a paz que vem da compreensão. Diz-se dos que atingem esse objetivo que serão imortais após a morte física. Pensadores taoístas modernos distinguem duas formas desse credo estreitamente ligadas: o taoísmo religioso, que envolve a busca do Tao e o culto das divindades, e o taoísmo como um completo modo de vida, o que inclui idéias tradicionais sobre saúde, meditação e exercício.
♦ Budismo
O budismo é o terceiro dos três caminhos. Ela penetrou na China perto do início da era cristã, atingindo seu apogeu durante a dinastia T´ang (618-907). Ao oferecer aos chineses uma análise da natureza transitória e sofredora da vida, o budismo oferece também um caminho de libertação, introduzindo no entanto a possibilidade de que os ancestrais estejam sendo atormentados no inferno. Rituais para adquirir e transferir méritos aos mortos tornaram-se importantes, seja pela execução correta de funerais, seja por meio de outros rituais. A fim de introduzir o budismo na China, os budistas realizaram vastos programas de tradução, literalmente de textos, mas também de idéias indianas, divindades e outras figuras.
♦ Religião Popular
Há um quarto "caminho", a religião popular da vida do dia-a-dia, com festivais dramáticos, mundos-fantasma, técnicas de magia (que abrangem desde curar doenças a erguer casas) e cuidados com os mortos e ancestrais. Uma prática importante é a Feng Shui, ou geomancia, a escolha do local das habitações, para mortos ou vivos, em áreas que recebam as correntes do alento vital, o ch´i, por onde ele circula. Cidades podem ser construídas sob esses princípios, buscando harmonizar as energias yin e yang, de cuja interação o universo e suas inúmeras formas emergem.
♦ O Mandato Celestial
A noção chinesa de realeza estava enraizada na crença de que os ancestrais reais tornavam-se divindades e deveriam ser cultuados. Se os governantes chineses ganhassem a aprovação do Céu e dos ancestrais, eles assegurariam a regularidade das estações, uma boa colheita, o equilíbrio correto do yin e do yang na comunidade e a manutenção da hierarquia real. Isso era chamado o Mandato Celestial. Os primeiros textos, preservados no Shu Ching (Clássico da História), revelam uma noção de "direito divino". O povo chou, que destronou seus governantes em 1027 a.C., estava ansioso para mostrar que o Céu havia sancionado sua sucessão, e o filósofo confucionista Mêncio (371-289 a.C.) ajudou-os a sustentar seu poder afirmando que, se o governante fosse juntos, fizesse sacrifícios para o Céu e cultuasse os ancestrais, então a ordem cósmica, natural e humana seria mantida e o governante conservaria a Mandato Celestial.
DRAGÃO CHINÊS
Dragão (long em chinês e ryu em japonês) segundo a mitologia chinesa, foi um dos 4 animais sagrados convocados por Pan Ku (o deus criador) para participarem na criação do mundo.
É enormemente diferente do ocidental, sendo um misto de vários animais místicos: Olhos de tigre, corpo de serpente, patas de águia, chifres de veado, orelhas de boi, bigodes de carpa, juba...
Representa a energia do fogo, que destrói mas permite o nascimento do novo. (a transformação). Simboliza a sabedoria e o Império.
É representado de várias formas, a mais comum é o dragão de 4 patas, cada uma com 4 dedos para frente e 1 para trás, o dragão imperial, ou carregando uma pérola numa das patas - dragão das águas marinhas.
A Imagem de um dragão azul preside o pólo oeste, o oriente.
Referências Bibliográficas:
www.consulado-china-rj.org.br
www.vidaperpetua.com.br

CIVILIZAÇÃO ROMANA

A Monarquia Romana
Início da organização político-social
Por volta do século VII a.C., os etruscos impuseram seu domínio aos italiotas, e a aldeia romana acabou-se por tornar uma cidade.
Ao adquirir características de cidade, Roma iniciou um processo de organização político-social que resultou na Monarquia.
Política: as instituições romanas
Durante a monarquia, Roma foi governada por rei, senado e Assembléia Curial.
O rei era juiz, chefe militar e religioso. No desempenho de usas funções, submetia-se a fiscalização da Assembléia Curial e do Senado.
São conhecidos sete reis romanos: Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco (o Antigo), Sérvio Túlio e Tarquínio ( o Soberbo). Provavelmente deve ter existidos outros reis porém não há comprovação histórica. Dos reis citados acima quatro eram italiotas e os três últimos eram etruscos.
O senado era um conselho formado por cidadãos idosos, responsáveis pela chefia das grandes famílias (genos).As principais funções do Senado eram: propor novas leis e fiscalizar as ações dos reis.
A Assembléia Curial compunha-se de cidadãos agrupados em cúrias*. Seus membros eram soldados em condições de servir o exército. A Assembléia tinha como principais funções: eleger altos funcionários, aprovar ou rejeitar leis, aclamar o rei.
Sociedade: a divisão de classes
A sociedade romana estava dividida na seguintes categorias:
Patrícios: eram os cidadãos romanos, grandes proprietários de terras, rebanhos e escravos. Desfrutavam de direitos políticos e podiam desempenhar funções públicas no exército, na religião, na justiça, na administração;
Clientes: homens livres que se associavam aos patrícios, prestando-lhes diversos serviços pessoais em troca de auxílio econômico e proteção social;
Plebeus: homens livres que se dedicavam ao comércio, ao artesanato e ao trabalho agrícola. A plebe representava a maioria da população romana, sendo constituída de imigrantes vindos , sobretudo, de regiões conquistadas pelos romanos. Durante o período monárquico , os plebeus não tinham direitos de cidadão, isto é, não podiam exercer cargos públicos nem participar da Assembléia Curial;
Escravos: eram, em sua maioria, prisioneiros de guerra. Trabalhavam nas mais diversas atividades, como serviços domésticos e trabalhos agrícolas. Desempenhavam funções de capatazes, professores, artesãos etc. O escravo era considerado bem material, propriedade do senhor, que tinha o direito de castigá-lo, vendê-lo, alugar seus serviços, decidir sobre sua vida ou morte.
Passagem para República
Apesar dos progressos que Roma vinha alcançando com a Monarquia, no reinado de Tarquínio as famílias romanas poderosas (os patrícios) ficaram insatisfeitas com as medidas adotadas por esse rei etrusco em favor dos plebeus.
Para controlar diretamente o poder em Roma, os patrícios, que formavam o Senado, rebelaram-se contra o rei, expulsando-o estabelecendo uma nova organização política: a República.

A República Romana
Novas instituições políticas e expansão militar
Com a instalação da República, os patrícios organizaram uma estrutura social e administrativa que lhes permitia exercer domínio sobre Roma e desfrutar os privilégios do poder.
Os patrícios controlavam quase a totalidade dos altos cargos da República. Esses cargos eram exercidos por dois cônsules e outros importantes magistrados. Na chefia da República os cônsules eram auxiliados pelo Senado, composto por trezentos destacados cidadãos romanos. Havia, ainda, a Assembléia dos Cidadãos, manobrada pelos ricos patrícios.
Conflitos entre Patrícios e Plebeus
Embora os plebeus constituíssem a maioria da população, eles não tinham direito de participar das decisões políticas. Tinham deveres a cumprir: lutar no exército, pagar impostos etc.
A segurança de Roma dependia de um exército forte e numeroso. Os plebeus eram indispensáveis na formação do exército, uma vez que constituíam a maior parte da população.
Conscientes disso e cansados de tanta exploração, os plebeus recusaram-se a servir o exército, o que representou duro golpe na estrutura militar de Roma. Iniciaram uma longa luta política contra os patrícios, que perdurou por mais de um século. Lutaram para conquistar direitos, como o de participar de decisões políticas, exercer cargos da magistratura ou casar-se com patrícios.
Conquistas da Plebe
Para retornar ao serviço militar, os plebeus fizeram várias exigências aos patrícios e conquistaram direitos. Entre eles encontrava-se a criação de um comício da plebe, presidido por um tribuno da plebe. A pessoa do tribuno da plebe seria inviolável, pessoa protegida contra qualquer violência ou ação da justiça. Ela teria também poderes especiais para cancelar quaisquer decisões do governo que prejudicassem os interesses da plebe.
Outras importantes conquistas obtidas pela plebe foram:
Lei das Doze Tábuas (450 a.C) – Juízes especiais ( decênviros) decretariam leis escritas válidas para patrícios e plebeus. Embora o conteúdo dessas leis fosse favorável aos patrícios, o código escrito serviu para dar clareza às normas, evitando arbitrariedades;
Lei Canuléia (445 a.C.) – autorizava o casamento entre patrícios e plebeus. Mas na prática só os plebeus ricos conseguiam casar-se com patrícios.
Eleição dos magistrados plebeus (362 a.C.) – os plebeus conseguiram, lentamente, Ter acesso a diversas magistraturas romanas. Em 336 a.C., elegeu-se o primeiro cônsul plebeu, era a mais alta magistratura;
Proibição da escravidão por dívidas – por volta de 366 a.C. foi decretada uma lei que proibia a escravização de romanos por dívidas ( muitos plebeus haviam se tornado escravos dos patrícios por causa de dívidas). Em 326 a.C., a escravidão de romanos foi definitivamente abolida.
As diversas conquistas da plebe, entretanto, não beneficiaram igualmente a todos os membros da plebe. Os cargos políticos e os privilégios ficaram concentradas nas mãos da nobreza plebéia, que passou a desprezar o homem pobre da plebe da mesma maneira que um elevado patrício.
Conquistas Militares e expansão territorial
A luta política entre patrícios e plebeus não chegou a desestabilizar o poder republicano. Prova disso é que a República romana expandiu notavelmente seu território através de várias conquistas militares.
As primeiras evidências da expansão militar consistiram no domínio completo da península itálica. Mais tarde, tiveram inicio as guerras contra Cartago ( cidade no norte da África), conhecidas como Guerras Púnicas* . Posteriormente veio a expansão pelo mundo antigo.
Guerras Púnicas ( 264-146 a.C.) – a principal causa das guerras púnicas foi disputa pelo controle comercial do Mediterrâneo. Quando os romanos completaram o processo de conquistas da península Itálica, Cartago era uma próspera cidade comercial que possuía colônias no norte da África, na Sicília, na Sardenha e na Córsega. Era, portanto, uma forte concorrente dos romanos . Para impor sua hegemonia comercial e militar na região do Mediterrâneo, os romanos precisavam derrotar Cartago. Após batalhas violentas, desgastantes e com duras perdas, os romanos conseguiram arrasar Cartago em 146 a.C.
Expansão pelo mundo antigo – eliminando a rival ( Cartago), os romanos abriram caminho para a dominação de regiões do Mediterrâneo ocidental (Macedônia, Grécia, Ásia Menor). O mar mediterrâneo foi inteiramente controlado pelos romanos que o chamavam de nare nostrum ( nosso mar).
Conseqüências das conquistas militares
As conquistas militares acabaram levando a Roma a riqueza dos países dominados. O estilo de vida romano, antes simples e modesto, evoluiu em direção ao luxuoso, ao requintado, ao exótico. A elevação do padrão e do estilo de vida romano refletia-se na construção das casas, no vestuários e na alimentação das classes dominantes. Mas o luxo e a riqueza eram privilégios de uma minoria de patrícios e plebeus ricos.
No plano cultural, as conquistas militares colocaram os romanos em contato com a cultura de outras civilizações. Nesse sentido, deve-se destacar a grande influência dos gregos sobre os romanos.
Á sociedade também sofreu transformações. Os ricos nobres romanos, em geral pertencentes ao Senado, tornaram-se donos de grandes latifúndios, que eram cultivados pelos escravos. Obrigados a servir no exército romano, muitos plebeus regressaram a Itália de tal modo empobrecidos que, para sobreviver, passaram a vender seus bens. Sem terras, inúmeros camponeses plebeus emigraram para a cidade, engrossando a massa de desocupados pobres e famintos.
Crise e fim da Republica
O aumento da massa de plebeus pobres e miseráveis ornava cada vez mais tensa a situação social e política de Roma. A sociedade dividia-se em dois grandes pólos. De um lado, o povo e seus líderes, que reivindicavam reformas sociais urgentes. De outro a nobreza e grandes proprietários rurais.
A reforma de Graco
Diante do clima de tensão, os irmãos Tibério e Caio Graco, que eram tributos da plebe, tentaram promover uma reforma social (133-132 a.C.) para melhorar as condições de vida da massa plebéia. Entre outras medidas, propuseram a distribuição de terras entre camponeses plebeus e limitações ao crescimento dos latifúndios. Sofreram então forte oposição do Senado romano. Acabaram sendo assassinados a mando dos nobres, que se sentiram ameaçados pelo apoio popular que os irmãos vinham recebendo.
Fracassadas as reformas sociais dos irmãos Graco, a política, a economia e a sociedade romanas entraram num período de grande instabilidade.
A transição para o império
Com o agravamento da crise, tradicionais instituições foram questionadas, e um clima de desordem e agitação foi tomando conta da vida das cidades. Diversos chefes militares entraram, sucessivamente, em luta pelo poder, marcando o processo de transição para o império. Entre os principais acontecimentos desse processo destacam-se:
Em 107 a.C., o general Caio Mário tornou-se cônsul. Reformou o exército, instituindo o pagamento de salário (soldo) para os soldados.
Em 82 a.C., o general Cornélio Sila, representando a nobreza, derrotou Caio Mário e instituiu um governo ditatorial.
Em 79 a.C., Sila foi forçado a deixar o poder devido a seu estilo antipopular de governo, pois a situação social estava incontrolável.
Em 60 a.C.estabeleceu-se o Primeiro Triunvirato*, formado por Crasso, Julio César e Pompeu para governar Roma. Pouco tempo depois de assumir o poder, Crasso foi assassinado. Surgiu, então, séria rivalidade entre Pompeu e Julio César. César saiu vitorioso e tornou-se ditador supremo de Roma.Promoveu, durante o seu governo, diversas reformas sociais para controlar a situação. Em 44 a.C. foi assassinado por uma conspiração organizada por membros do Senado.
Em 43 a.C., estabeleceu-se o Segundo Triunvirado, composto por Marco Antonio, Otávio e Lépido. O poder foi dividido entre os três: Lépido ficou com os territórios africanos, mas depois foi forçado a retirar-se da política; Otávio ficou responsável pelos territórios ocidentais; e Marco Antonio assumiu o controle dos territórios do Oriente. Surgiu intensa rivalidade entre Otavio e Marco Antonio, que se apaixonara pela rainha Cleópatra, do Egito. Declarando ao Senado que Marco Antonio pretendia formar um império no Oriente, Otavio conseguiu o apoio dos romanos para derrotá-lo. Assim, tornou-se o grande senhor de Roma.

O Império Romano

Apogeu e queda de Roma
A partir de 27 a.C., Otávio foi acumulando poderes e títulos, entre eles o de augusto, e o de imperador.
Otávio Augusto tornou-se, na prática, rei absoluto de Roma . Mas não assumiu oficialmente o título de rei e permitiu que as instituições republicanas (Senado, Comício Centurial e Tribal etc.) continuasse existindo na aparência.
Alto Império ( 27 a.C. - 235 d.C):
O alto império foi a fase de maior esplendor desse período.
Durante o longo governo de Otávio Augusto ( 27 a.C.-14 d.C.), uma série de reformas sociais administrativas foi realizada. Roma ganhou em prosperidade econômica. O imenso império passou a desfrutar um período de paz e segurança, conhecido como Pax Romana.
Após a morte de Otavio Augusto , o trono romano foi ocupado por vários imperadores, que pode ser agrupados em quatro dinastias:
• Dinastia dos Julios-Claudius (14-68) – Tibério, Calígula, Claudio e Nero;
• Dinastia dos Flávios (69-96) –Vespasiano e Domiciano;
• Dinastia dos Antoninos (96-192) – Nerva, Trajano, Adriano, Marco Arélio, Antinino Pio e Cômodo.
• Dinastia dos Severos (193-235) – Sétimo, Severo, Caracala, Macrino, Heliogábalo e Severo Alexandre.
Baixo Império (235-476)
O baixo império corresponde à fase final do período imperial. Costuma ser subdividido em:
Baixo Império pagão (235-305) – período em que dominava as religiões não-cristãs.Destacou-se o reinado de Dicleciano, que dividiu o governo do enorme império entre quatro imperadores (tetrarquia) para facilitar a administração. Esse sistema de governo, entretanto não se consolidou.
Baixo Império Cristão (306-476) – nesse período, destacou-se o reinado de Constantino, que através do Edito de Milão, concedeu liberdade religiosa aos cristãos. Consciente dos problemas de Roma, constantino decidiu mudar a capital do império para a parte oriental. Para isso remodelou a antiga Bizâncio ( cidade fundada pelos gregos) e fundou Constantinopla, que significava "cidade de Constantino"
Crise do Império Romano
O Baixo Império foi sendo corroído por uma longa crise social, econômica e política. Entre os fatores que contribuíram para essa crise, destacam-se:
• Elevados gastos públicos para sustentar a imensa estrutura administrativa e militar;
• Aumento dos impostor para custear as despesas do exército e da burocracia administrativa;
• Crescimento do número de miseráveis entre a plebe, os comerciantes e os camponeses;
• Desordens sociais e políticas provocadas por rebeliões tanto das massas internas quanto dos povos submetidos.
Agravando ainda mais essa situação social e econômica, os romanos tiveram de enfrentar a pressão dos povos bárbaros*. Chegou um momento em que os romanos perceberam que os soldados encarregados de defender Roma vinham dos próprios povos contra os quais eles (romanos) combatiam.
Divisão e Declínio do Império e Invasão Bárbara
Com a morte de Teodósio, em 395, o grande império Romano foi dividido em: Império Romano do Ocidente, com sede em Roma; e Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla.
A finalidade dessa divisão era fortalecer cada uma das partes do império para vencer a ameaça das invasões Bárbaras. Entretanto, o Império Romano do Ocidente não teve organização interna para resistir aos sucessivos ataques dos povos bárbaros.
Os bárbaros tinham exército eficientes, que contavam com soldados guerreiros, coesão interna das tropas e boas armas metálicas.Apesar de rudes, os bárbaros exibiam ideal e vigor. Roma, por sua vez, mostrava-se corrompida pela discórdia, pela indisciplina no exército e pela falta de entusiasmo das populações miseráveis. É por isso que cerca de quinhentos mil bárbaros conseguiram desestabilizar o um império com mais de oitenta milhões de pessoas.
Em 476, o ultimo imperador de Roma, Romulo Augusto, foi deposto por Odocro, rei do hérulos, um dos povos bárbaros.
Quanto ao Império Romano do Oriente, embora com transformações, sobreviveu até 1453, ano em que os turcos conquistaram Constantinopla.
Autoria: Fernando Saccol Gnocato

CIVILIZAÇÃO ROMANA

CHINA

CHINA
Partido Comunista faz 90 anos, sustentado pelo capitalismo
José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
O Partido Comunista chinês completou 90 anos de fundação no dia 1o de julho. No comando do país mais populoso do planeta, o partido sobreviveu ao colapso dos regimes comunistas do século 20 e continua mais forte do que nunca.
Direto ao ponto: Ficha-resumo


Vive, no entanto, um paradoxo que precisa ser solucionado: uma moderna e dinâmica economia de mercado aliada a um Estado repressor que limita as liberdades individuais e que destoa das democracias em vigor nos demais países desenvolvidos.
Para se adaptar ao mundo globalizado, o PC chinês precisou adotar o modelo econômico capitalista. As reformas começaram em 1978. Em três décadas, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu numa média anual de 10%, tirando 400 milhões de pessoas da pobreza.
O "milagre" chinês transformou um país agrário e analfabeto na atual segunda maior potência econômica do mundo, atrás somente dos Estados Unidos.
Na política, o governo mantém o controle total sobre a vida dos chineses. Não tolera oposição, reprime com violência os dissidentes e censura a imprensa e a internet. O país vivencia uma das maiores ondas de repressão dos últimos anos, tendo como alvo os ativistas pró-democracia (inspirados pelas revoltas no mundo árabe), tibetanos e outras minorias étnicas.
Hoje, o partido gasta mais com segurança interna, na censura e repressão ao povo, do que com a própria segurança externa.
O regime ditatorial é o ponto fraco no domínio do partido, que sofre críticas de países ocidentais. Apesar disso, conta com o apoio da maior parte da população, beneficiada pelos avanços na área econômica.
O PC chinês foi fundado em 1921, numa reunião clandestina em Xangai, com apenas 53 integrantes (hoje possui 80,2 milhões de filiados, segundo dados oficiais). Entre os delegados presentes no primeiro encontro estava o líder revolucionário Mao Tsé-tung, então com 27 anos. O líder é cultuado até hoje na China.

Massacres
O PC chegou ao poder em 1o de outubro de 1949, com a Revolução Chinesa, depois de combater os nacionalistas e os invasores japoneses. Nas três décadas seguintes, sob a liderança de Mao Tsé-tung, promoveu uma desastrosa campanha para modernizar o país que matou cerca de 20 milhões de pessoas de fome.
Em 4 de junho de 1989, o Exército Chinês tomou a praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim, e sufocou o maior protesto pró-democracia já ocorrido no país. Sete mil pessoas morreram, segundo estimativas de órgãos independentes.
Nos eventos de comemoração aos 90 anos, o governo quis deixar esse passado esquecido e divulgar os progressos recentes que tornaram o país rico. A festa foi um imenso esforço de propaganda, com o lançamento de um filme oficial sobre o partido, desfiles patrióticos e inauguração de obras como a mais extensa ponte sobre o mar do mundo, com 41,58 km, na cidade litorânea de Qingdao.
Em discurso na capital, o presidente e secretário-geral do PC, Hu Jintao, disse que o partido aprendeu com os erros do passado e que vai, daqui para a frente, combater a corrupção de membros do governo. A partir do ano que vem, a cúpula do partido começa a se renovar.

Revolução Chinesa
A China foi uma das civilizações mais avançadas do mundo antigo. Na era das dinastias, porém, o sistema feudal do Império deixou o país em desvantagem em relação às nações europeias. Assim, no início do século 19, o território chinês foi ocupado por estrangeiros.
A revolta contra o domínio colonial gerou levantes populares entre os camponeses, que perfaziam 80% da população. Foi nos campos que surgiram o Kuomintang (Partido Nacionalista Chinês), que proclamou a República entre 1911 e 1912, e o partido comunista.
No início, o PC e o Kuomintang eram aliados contra as potências colonialistas. Mas com o golpe militar em 1927, promovido pelos nacionalistas, os comunistas foram para a clandestinidade e adeririam à luta armada.
Sob a liderança de Mao Tsé-tung, o PC chinês derrotou o Partido Nacionalista e proclamou em 1949 a República Popular da China, como apoio da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

A China era então um país pobre, atrasado e destruído por mais de duas décadas de guerras civis. Por isso, Mao promoveu o Grande Salto Adiante (1958-1961), uma campanha de aumento da produção agrícola e industrialização. Os resultados, entretanto, foram catastróficos: milhões de chineses morreram de fome.

Outro período traumático foi a chamada Revolução Cultural, ocorrida entre 1966 e 1977. Nesta época, o exército prendeu, exilou e matou intelectuais e pessoas consideradas inimigas do governo.

Após a morte de Mao, Deng Xiaoping assumiu a liderança e realizou reformas políticas e econômicas, entre 1978 e 1980. As reformas tiveram como maior característica a abertura do mercado. Foram elas que garantiram a permanência do comunismo na China depois da queda dos regimes no Leste Europeu e possibilitaram que o país se tornasse uma das nações mais ricas do planeta.